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Projeto Vet-OncoNet: Uma Oncologia, Uma Saúde

Muitos dos tumores em animais de companhia são comparáveis aos tumores humanos e podem servir-lhe como modelo em estudos epidemiológicos e ensaios clínicos.

Nestes últimos, os animais de companhia estão melhor posicionados do que os modelos animais, como os ratinhos de laboratório, porque além de estarem expostos a fatores de risco ambientais semelhantes, desenvolvem as neoplasias de forma espontânea e mais rápida, o que favorece os resultados clínicos. No futuro, espera-se que possam vir a ser usados como sentinelas para ambientes de risco para humanos, possibilitando a adoção de medidas preventivas adequadas à saúde humana e ambiental.

A Vet-OncoNet é uma rede de partilha de informação de tumores de animais de companhia e investigação de fatores de risco. Esta plataforma é uma iniciativa do ICBAS e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), enquadrada nas políticas Uma Saúde destas instituições. Envolve investigadores dos departamentos de Estudo de Populações, Clínicas Veterinárias, Patologia e Imunologia Molecular do ICBAS e o Departamento de Saúde Pública Veterinária (ISPUP). A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), associou-se a esta iniciativa, tornando-se Instituição cofundadora da Rede Vet-OncoNet. Criada sobre os pilares do conceito e visão Uma Saúde, visa contribuir para o progresso na prevenção e na terapêutica em oncologia animal e humana. Estas beneficiam mutuamente desta abordagem conjunta e partilha de conhecimento entre cientistas das diversas áreas.

Inserida neste contexto académico-científico, a missão da Vet-OncoNet é desenvolver atividade científica, de ensino, divulgação e comunicação de informação credível no domínio da Oncologia Animal.

Para saber mais:

Vet-Onconet: Rede de partilha de informação de neoplasias de animais de companhia e investigação de factores de riscos

Contacto: Professor João Niza Ribeiro (jjribeiro@icbas.up.pt)

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Prevenção do atraso físico e mental através da ingestão de iodo

Os seres humanos e outros animais requerem a ingestão de uma certa quantidade de iodo, um nutriente necessário para o funcionamento regular da tiroide, uma glândula que regula o metabolismo do corpo.

Alimentos e, eventualmente, água, e respirar o ar costeiro rico em iodo são as fontes naturais deste nutriente. Peixe, lacticínios e algas costumavam ser suficientes para cobrir as nossas necessidades. No entanto, o novo paradigma nutricional no mundo desenvolvido favorece a ingestão de alimentos pobres em iodo. A deficiência de iodo, principalmente durante a gravidez e nos primeiros anos de vida, pode comprometer o desenvolvimento físico e mental das crianças.

A iodização do sal é a maneira mais barata, sustentável e universal de lidar com o problema durante a nossa vida. O processo começou há um século na Suíça. Na Europa Ocidental, o uso obrigatório não é generalizado e a deficiência pode atingir níveis preocupantes. Em África, devido à contribuição da Comunidade Internacional, os alunos são regularmente complementados. A maneira de verificar os níveis de iodo é por meio da análise de urina. No entanto, níveis baixos ou altos de iodo levam à mesma doença – bócio. Portanto, a ingestão diária correta por crianças e adultos, incluindo mulheres grávidas, é imprescindível para resolver a deficiência de iodo em todo o mundo.

O Laboratório de Hidrobiologia e Ecologia do ICBAS avalia, na Guiné-Bissau (e não só), a suficiência de iodo em urina humana através de um método certificado para o efeito. Este trabalho é essencial para identificar a carência de iodo e lidar com as consequências da mesma.

Para saber mais:

– Bócio endémico e deficiência de iodo em crianças em idade escolar na Guiné-Bissau
– O sal marinho não fortificado pode cobrir às necessidades humanas de iodo?

Contacto: Professor Adriano A. Bordalo (bordalo@icbas.up.pt)

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Cólera: A pandemia esquecida

Durante vários milénios, a cólera – uma doença diarreica aguda que pode levar à morte em poucos dias se não for tratada – devastou o subcontinente indiano. Vasco da Gama, o conhecido navegador português, morreu de cólera no sul da Índia no século XVI.

A cólera continua ativa hoje em quatro continentes, com especial incidência em África. A doença vai já na 7ª pandemia, que se estende desde 1960. Na Europa, a última epidemia ocorreu em Portugal em 1974, onde infetou quase 2 mil e 500 cidadãos e matou 48.

Água e alimentos contaminados são a principal fonte do agente da cólera – um vibrio (bactéria) onipresente nas águas costeiras. Uma vez ingerida em dose suficiente, a bactéria é capaz de escapar da barreira de ácido do estômago e colonizar o intestino. Se as toxinas forem produzidas, uma pessoa pode perder até 20 litros de líquidos internos por diarreia aquosa. Se estes líquidos não forem substituídos, o paciente morre. O tratamento é particularmente barato, por meio da reposição de eletrólitos através da administração de uma solução de reidratação oral, uma mistura de açúcar e sais e, eventualmente, antibióticos comuns.

A falta de água potável, saneamento, higiene e os cuidados de saúde precários em todo o mundo favorecem a propagação da doença. A batalha pela erradicação está longe de ser concretizada, um fardo adicional para os mais pobres entre os pobres. O Laboratório de Hidrobiologia e Ecologia do ICBAS estuda as condições de acesso a água (qualidade e microbiologia) da população na Guiné-Bissau, analisa a relação entre o consumo de água e o aparecimento de doença, e identifica as possíveis causas da contaminação deste precioso líquido.

Para saber mais:

Sacos de água como potencial veículo de transmissão de doenças na capital da África Ocidental, Bissau
Análise da composição bacteriana na água ácida de poço usada para beber na Guiné-Bissau, África Ocidental

Contacto: Professor Adriano A. Bordalo (bordalo@icbas.up.pt)

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